Antero de Quental – Ignoto Deo

Que beleza mortal se te assemelha,
Ó sonhada visão d’esta alma ardente!
Que refletes em mim teu brilho ingente,
Lá como em mar d’anil o sol se espelha?

O mundo é grande! e esta ancia me aconcelha
A buscarte na terra: e eu, pobre crente,
Vou pelo mundo a ver o Deus clemente
Mas a ára só lhe encontro… núa e velha.

Não é mortal o que eu em ti adoro.
Que és tu aqui? olhar de piadade,
Gota de mel em taça de venenos.

Ah lagrima das lagrimas que choro! Ah sonho dos meus sonhos! Se és verdade, Descobre-te, visão, no ceu ao menos!