José Maria Eça de Queiroz – A Irlanda e a Liga Agraria

É necessário falar da Irlanda, falar da Liga Agrária, falar de Parnell…
Há seis meses que este homem, esta associação, essa ilha inquieta, são o cuidado supremo, a preocupação pungente da Inglaterra e de tudo o que em Inglaterra pensa, desde os homens de Estado até aos caricaturistas. E dentro em breve o sentimento europeu, o sentimento universal, vai-se exaltar pela questão da Irlanda, como outrora pela questão da Polónia.
A questão da Polónia! O saudosos dias passados, foi esse um dos meus primeiros entusiasmos! Nesse tempo ser polaco era sinónimo de ser herói: e a forma mais usual da paixão, numa alma de vinte anos, não consistia no desejo de se subir ao balcão de Julieta, mas de partir e ir tomar as armas pela Polónia. Em Coimbra, sempre que nos reuníamos mais de quatro amigos, fazíamos logo esse projecto, gritando: «Viva a Polónia!» Os jornais transbordavam de poemas à Polónia e de injúrias ao Urso do Norte! Empenhavam-se batinas e compêndios para socorrer a Polónia, em subscrições patrióticas. Em benefício da Polónia eu representei muito melodrama em que, ora virgem traída e vestida de branco, soluçava com as minhas tranças soltas – ora traidor, soltando gargalhadas cínicas, cravava um ferro no peito de Condé!
Por fim não éramos mais insensatos do que o povo de Paris em 1848, marchando em procissão a reclamar do Governo provisório a libertação da Polónia. «Mas é uma guerra com a Rússia, é um conflito europeu!», diziam os prudentes. E os entusiastas respondiam: «Não tem dúvida; a França é o messias, é a salvadora dos oprimidos: a França é o Cristo das nações; sendo necessário, deve morrer por elas.»
Mas desde 1848 muita água tem passado sob as pontes, como dizem em Paris: e mesmo muito sangue.
Por estes tempos de oportunismo e de naturalismo, a pobre Irlanda não inspirará jamais o culto piedoso que demos outrora à Polónia.
De resto, a Polónia e a Irlanda constituem dois casos diferentes. E certo, porém, que vistos de longe, através da névoa lacrimosa da sentimentalidade, oferecem similitudes. A Irlanda pode talvez considerar-se uma Polónia constitucional: há aqui, como na Polónia, uma raça oprimida, cujo solo foi dividido entre os grandes vassalos, as famílias históricas da nação conquistadora, e que desde então tem permanecido em servidão agrária. Somente na Irlanda o arbitrário e os abusos que esta situação origina são recobertos pelo regime parlamentar de um belo verniz de legalidade: e a Irlanda sofre as misérias de um país vencido e explorado – mas dentro das formas constitucionais.
O Irlandês parece-se com o Polaco em certos pontos: são ambos arrebatados, imprudentes, espirituosos, generosos e poetas. Como o Polaco, o Irlandês católico odeia o conquistador, sobretudo por ele ser herético de nacionalidade, misturando-lhe o conflito de religião. Como na Polónia há na Irlanda a legenda patriótica da independência das revoltas sufocadas, dos agitadores heróicos, legenda que fala à imaginação popular tanto como a mesma religião, inspirando iguais fanatismos, de tal sorte que o Irlandês é tão devoto dos seus santos como dos seus patriotas: como o Polaco despreza o Russo, assim o Irlandês olha o Anglo-Saxónio como um bárbaro e um estúpido e tem por ele toda a antipatia desdenhosa que uma raça de improvisadores pode ter por uma raça de críticos e de analistas. Na ordem social, como na ordem doméstica, há entre a Polónia e a Irlanda outras curiosas afinidades. A última táctica da Irlanda, mesmo, é imitada da Polónia: a Irlanda vai apelar para a Europa e é Victor Hugo quem falará em nome dela, num manifesto com o título de Opressor e Oprimido..29
Mas a Inglaterra realmente não se parece com a Rússia: nem mesmo através da névoa da sensibilidade, através da paixão pela causa da Irlanda, o mais esclarecido dos liberalismos pode ser confundido com o mais boçal dos despotismos. E todavia… E todavia, para não perturbar os interesses tirânicos de um milhar de ricos proprietários, deixa na miséria quatro milhões de homens. Tem todo o território irlandês ocupado militarmente. Apenas um patriota começa a ter influência na Irlanda, prende o patriota.
Quando a eloquência dos deputados irlandeses se torna inquietadora, abafa-a, quebrando sem escrúpulos uma tradição parlamentar de séculos. Vai governar a Irlanda pela lei marcial, como qualquer czar. E, para surpreender os planos da Liga Agrária, viola os segredos das cartas.

Esta questão da Irlanda apresenta-se tão complexa, tão confusa como o próprio caos antes da grande façanha de Jeová. Na Irlanda começa por haver três nações distintas com interesses contraditórios: os irlandeses católicos, os irlandeses protestantes ou orangistas, os ingleses e proprietários escoceses. A questão da propriedade é sem dúvida a essencial: mas existem outras, a questão religiosa, a questão policial, a questão judicial, a questão municipal, etc., etc. E sobre cada uma destas questões é difícil achar dois irlandeses de acordo. Cada aldeia se torna assim um campo de batalha: e, como são eloquentes e sarcásticos, o grande fluxo labial, a paixão do epigrama amplificam e azedam as dissensões.
Mesmo dentro da Igreja Católica, que deveria conservar a tradição da unidade, tumultua a discórdia: o clero paroquial está em luta com os dignitários episcopais: e é raro que o clero de um condado não divirja de sentimentos e de prédica com o clero do condado vizinho. No mundo dos patriotas revolucionários não existe uma harmonia melhor: a Liga Agrária não aceita os Fenians e os Fenians abominam as tendências parlamentares dos Home-Rulers: e dentro mesmo do partido dos Home-Rulers há democratas e conservadores. E um numeroso conflito por toda a pobre Irlanda.
Os Irlandeses dizem, porém, que se lhes fosse dada a autonomia, horas depois de declarada a república irlandesa todas estas questões se resolveriam de per si e o país seria como um mar que amansa e fica em equilíbrio.
Até agora, porém, essa falta de unidade é aduzida justamente como evidência dos perigos que teria essa autonomia.
Os Ingleses pensam sinceramente que no momento em que a Irlanda saísse de sob a tutela do bom senso e do saber inglês, no instante que essa raça impressionável, excitada, fanática e pouco culta fosse abandonada a si mesma, começaria uma guerra civil, uma guerra religiosa, diferentes guerras agrárias, que bem depressa fariam da Verde Em um montão de ruínas numa poça de sangue.
Se os Irlandeses se não entendem bem sobre os males da Irlanda, os Ingleses compreendem-se menos acerca dos remédios para a Irlanda. E a confusão em que se está provém principalmente da abundância da discussão. Não há vilota ou mesmo aldeia de Inglaterra que não tenha um jornal do tamanho da Gazeta de Notícias, com oito páginas de tipo cerrado. E de alto a baixo esta vastidão de papel, desde que começou a agitação da Liga Agrária, é ocupada por estudos e artigos sobre a Irlanda. Multiplique-se isto pelas três ou quatro mil gazetas que a pobre Inglaterra nutre sobre a sua epiderme: juntem-se-lhe os artigos dos semanários, dos quinzenários, das revistas e dos magazines, os panfletos, as brochuras, os ensaios inumeráveis como as estrelas do céu, os livros e tratados de toda a sorte, os discursos do Parlamento, as arengas dos meetings, as conferências, os sermões, as controvérsias públicas, as lições, enfim, toda essa colossal literatura que nestes últimos meses tem tomado por assunto a Irlanda.
E digam-me se, com todo este mundo de informação, de discussão, de teorias, de projectos, de sistemas, de opiniões, de imaginações – não é natural que o cérebro da Inglaterra esteja, nesta questão da Irlanda, perfeitamente desorganizado. O meu está. Mas neste caos mental tenho ilustres companheiros: o grande Carlyle costumava dizer que a sinceridade e a elevação de alguns patriotas irlandeses era a única coisa nítida e clara que ele conseguia distinguir no escuro tumulto da confusão irlandesa…
Há também outra coisa que se percebe bem: é que a população trabalhadora da Irlanda morre de fome, e que a classe proprietária, os land-lords, indignam-se e reclamam o auxílio da polícia inglesa quando os trabalhadores manifestam esta pretensão absurda e revolucionária – comer!
Aqui está, por exemplo, sua graça o duque de Leicester, para não citar outros de nomes menos sonoros: os seus rendimentos na Irlanda sobem a quatrocentos contos de réis – e o infeliz tem ainda uns duzentos contos mais das suas propriedades na Inglaterra! Este fidalgo, escuso talvez dizê-lo, não sofre frio e não passa fome: por outro lado, a população de rendeiros que trabalham as suas terras e que com o seu suor e o seu esforço lhe arrancam do solo este rendimento – a única coisa que realmente têm é fome e frio. Mas este ano tiveram mais fome e mais frio que de costume: e lá foram em farrapos, e com os pés nus sobre a neve, suplicar a sua graça o duque de Leicester que lhes fizesse neste ano uma diminuição de dez por cento nas rendas – exageradas, absurdas e devoradoras. Sua graça respondeu (pela boca dos seus administradores, naturalmente: por sua própria boca um duque inglês nunca fala senão com outro duque), respondeu que as suas circunstâncias não lhe permitiam essa liberalidade – e que a repetição de uma tal súplica não podia ser tolerada.
E portanto os rendeiros de sua graça lá voltaram, de cabeça baixa, para o frio e para a fome.
Direi de passagem que se o pedido, em lugar de ser feito pelos seus rendeiros da Irlanda partisse dos seus rendeiros da Inglaterra, sua graça apressar-se-ia a satisfazê-lo rasgadamente. E porque a Irlanda é um país conquistado, e quando o proletário se queixa a polícia fila-o pela gola: mas, em Inglaterra, quando o operário inglês ergue a sua voz de leão a polícia fica imóvel, os duques empalidecem e o edifício monárquico e feudal treme nas suas bases.
Mas a propósito de sua graça o duque de Leicester (gozemos o mais tempo possível esta ilustre companhia: quand on prend du duc on n’en saurait trop prendre), deixem-me dizer-lhes em resumo quais são as relações agrárias entre um proprietário, um land-lord, e os seus rendeiros.

O solo, é claro, pertence ao lorde. Por que título não sei, talvez uma de suas avós, numa noite que estava mais decotada, atraísse o inconstante olhar do amável Carlos II, nos saraus galantes da Restauração: desse olhar provém, acaso, esta bela propriedade. O alegre Stuart era tão generoso! Tinha-se vivido tão pobremente, tão tristemente, sob a ditadura puritana do Cromwell!… Depois, se Carlos II tinha pouco dinheiro (o desgraçado recebia uma mesada do rei de França!) não lhe faltavam terras na Irlanda. Três léguas de pastos, ou de terreno arável, por um beijo e os seus acessórios não é caro para um Stuart. E para uma fraca dama ou para seu esposo é um famoso negócio. Note-se, por Deus, note-se que eu estou fazendo estas suposições sobre um tipo de lorde abstracto. Nem toda a minha simpatia pelos trabalhadores irlandeses me levaria a suspeitar das puríssimas senhoras da Casa de Leicester…
Como proprietário do solo, pois, o lorde arrenda-o às famílias que de geração em geração vivem nas suas terras: o Irlandês prende-se ao solo como uma árvore pelas raízes, e muitas vezes prefere morrer a abandonar um torrão árido que o não nutre. A emigração irlandesa para a América sai principalmente da população operária das cidades. Ora, nos contratos de renda, o homem de trabalho está absolutamente à mercê do senhor da propriedade.
O valor das rendas é puramente arbitrário. Não há tipo de renda baseado sobre a avaliação das terras; existe o que se chama a avaliação de Griffith, feita há mais de trinta anos por o agrónomo desse nome; mas esta avaliação, equitativa e favorável ao trabalhador, não é jamais aceitada pelos proprietários. Nisto está a origem de todas as misérias da Irlanda; as rendas, absurdamente elevadas, absorvem todo o produto da terra, e o rendeiro escassamente pode viver, muito menos economizar.
Além do solo, o proprietário deve fornecer a habitação e os instrumentos de trabalho: se na fazenda não existe casa, ou se ela necessita reparações, o land-lord dará naturalmente alguma madeira, uma mão-cheia de pregos, um molho de colmo, para que o trabalhador erga a cabana miserável, muito inferior, como conforto, aos currais dos nossos gados; e a esta generosidade régia o land-lord juntará talvez um velho arado e um ferro de enxada. Mas estes dons são adiantamentos que ele sobrecarrega com preços duplos ou triplos do seu valor, e de que se faz embolsar por prestações trimestrais.
Não é possível ser mais grandioso ou mais nobre.
Aqui está, pois, o rendeiro de posse de um tecto, de um terreno e de ferramenta. Parece que só lhe resta começar a cultivar.
Assim seria, se não fosse na Irlanda. Mas a Natureza, mãe fecunda e amante, comporta-se aqui ainda pior que os lordes: se a Natureza tivesse assento na Câmara dos Pares de Inglaterra não seria mais áspera, mais hostil ao pobre e mais avara de si mesma. A Natureza, quando não se apresenta ao trabalhador irlandês sob o aspecto de solo pedregoso, mostra-se sob o aspecto de pântano.
Oferece-lhe de um lado um penedo, do outro um charco.
E diz-lhe com a sua ternura de mãe:
– Escolhe. De qual preferes tirar tu os meios de subsistência?
O pobre irlandês o que preferiria era ir-se embora: mas como por toda a parte encontraria um proprietário igual, os mesmos pedregulhos e idênticos lamaçais – fica. E é então que se apresenta de novo a generosidade do lorde. Sua graça está pronta (porque sua graça é compassiva) a escoar o pântano, a desempedrar o solo, a fazer melhoramentos na terra. Sua graça vai mesmo mais longe: sua graça (Deus o recompense!) oferece a semente. E mais ainda: sua graça (que as bênçãos do céu o vistam!) dá os adubos.
E aqui está um rendeiro feliz, que tem a casa, os instrumentos, a semente, os adubos… Somente sua graça marca os preços que lhe convêm aos melhoramentos feitos, à semente e aos adubos: e no fim do ano a renda que era originariamente de dez está em vinte e cinco! Como os terrenos são pobres, os invernos abomináveis, o pobre rendeiro não pode pagar: dirige-se então ao agiota – ou ao lorde mesmo. E desde esse momento está numa rede de dívidas, letras, colheitas empenhadas, juros acumulados, protestos, o demónio – de que jamais se poderá desenredar. O resultado é previsto: o lorde (pelo seu agente) penhora-o, apossa-se do grão que está nos celeiros, do gado que está nos currais, do pequeno bragal que está na arca, das arrecadas da mulher, das enxergas – e expulsa-o da casa e da propriedade: da casa que ele talvez construiu, da propriedade que ele com o seu trabalho melhorou! Tal qual como na Meia Idade.
Estas expulsões, que se chamam evictions, são o terror irlandês. Que há-de fazer um miserável com mulher, crianças, às vezes uma avó entrevada – que se vê de uma hora para a outra no meio de uma estrada, por um terrível Inverno, sem um farrapo para se cobrir, sem uma côdea de pão, sem casa, sem destino e sem esperança? E note-se que isto passa-se em regiões como as da Irlanda, pouco habitadas, com um casal de légua em légua.
Esta falta de vizinhos torna estas expulsões mais terríveis. Quantas milhas a caminhar sob a chuva ou sob a neve, com as crianças chorando de fome, os doentes levados numa padiola, até que se encontre algum rendeiro mais feliz que ainda tem um canto de cabana onde asile a família errante! Mas por pouco tempo – porque todos são pobres, todos estão endividados, todos ameaçados da expulsão…
E durante esse tempo sua graça banqueteia-se, bebe Chateaux Margaux de seis mil réis a garrafa, caça, etc. – e aluga a fazenda, donde expulsou o miserável número um, ao rendeiro número dois. Somente o número dois, como a encontra melhorada pelo antecedente, paga-a mais cara: e depois de explorado, sugado, espremido, durante dois ou três anos, é expulso – para dar lugar ao numero três. Este infeliz passa pelo mesmo processo de trituração, et sic per omnia…
E as expulsões são inevitáveis, porque com a altura absurda das rendas – é impossível que o rendeiro as possa pagar e viver.

Isto, como compreendem, é apenas um vago contorno da realidade, apontada nas suas feições essenciais.
Descendo-se a detalhes – vê-se então uma horrorosa treva de injustiça e miséria.
Más como podem tais coisas passar-se no século XIX e ao lado do povo inglês?
Como permite uma nação tão justa a existência de tanto opróbrio? – dir-me-ão.
Justamente essa pergunta a fazia Victor Hugo há dias a Parnell, o chefe da Liga Agrária, na sua célebre entrevista. E eu responderei com as palavras de Parnell.
Tais coisas passam-se no século XIX. E o povo inglês não as sabia: pelo menos eram-lhe contadas de tal modo que em lugar de piedade só sentia cólera.
E isto é exacto. Os males da Irlanda eram conhecidos pela voz dos seus agitadores. Mas estes homens, desde O’Connell, cometeram sempre o erro de misturar as queixas de um proletariado oprimido às aspirações de independência nacional: de sorte que a Inglaterra não atendia à reclamação dos trabalhadores pela irritação que lhe causavam as exigências dos patriotas. O povo inglês não pode ouvir falar em que a Irlanda se separe e se constitua em república: mas está pronto a ordenar que se lhe dê um justo regime de propriedade.
O erro dos Fenians foi confundir a questão nacional com a questão agrária: o rendeiro miserável aparecia então aos ingleses com o aspecto de um rebelde à União; e envolvendo-os ambos no mesmo ódio, porque lhes supunha idênticas ambições, sufocou sem discernimento a voz que só pedia pão e a voz que reclamava autonomia.
E todavia o povo inglês sentiu sempre instintivamente que a Irlanda sofria. Muitas vezes pediu para ela uma reforma das leis agrárias. Era, porém, uma pedir vago, sem coesão; mais a expressão de sensibilidades feridas do que a intimação da vontade nacional.
De sorte que os parlamentos, saídos da classe que tem interesse em manter a Irlanda na miséria, contentavam-se em fazer reformas de detalhes, reformas insignificantes e imperceptíveis, para dar uma satisfação à compaixão inglesa: e o regime antigo ficava inatacado como dantes. Mas isto bastava para que alguns humanitários dissessem com um suspiro de alívio: «Enfim lá se fez alguma coisa pela Irlanda!» De facto não se tinha feito nada.
Era, pois, necessário que a questão da propriedade fosse separada da questão da independência: que se fizesse um movimento legal dentro da constituição, com o fim exclusivo de terminar os abusos dos land-lords, calando toda a ideia de arrancar a Irlanda ao Reino Unido. Então haveria a certeza de que o povo inglês, vendo a questão agrária e os seus horrores, isoladamente, no seu relevo próprio, desembaraçada das reclamações rebeldes e das agitações separatistas – determinasse dar a tantos males, tão antigos, um remédio radical. Foi isto que tentou a Liga Agrária..33
Esta carta é longa: e apresentando esta formidável entidade, a Liga Agrária, eu devo fazer como o ilustre Ponson du Terrail, quando introduziu um novo personagem, o herói providencial, num fim de folhetim: deixar a história das suas façanhas, das suas virtudes e da sua beleza, com o interesse suspenso, até ao folhetim seguinte. Não se esqueçam que ficamos no momento em que neste palco da história irlandesa subitamente aparece ao fundo, misteriosa e grave, a Liga Agrária.

 

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