Luis de Camoes – Quando de minhas magoas a comprida

Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquella alma me apparece,
Que para mim foi sonho nesta vida.

Lá n’uma soidade, onde estendida
A vista pelo campo desfallece,
Corro apos ella; e ella então parece
Que de mim mais se alonga, compellida.

Brado: Não me fujais, sombra benina.
Ella, os olhos em mim co’um brando pejo
Como quem diz que ja não pode ser,

Torna a fugir-me: tórno a bradar: Dina
E antes que diga mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.

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