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Tag Archives: Sa-Carneiro

Mario de Sa-Carneiro – Apoteose

10-dic-11

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Mastros quebrados, singro num mar d’Ouro Dormindo fôgo, incerto, longemente… Tudo se me igualou num sonho rente, E em metade de mim hoje só móro… São tristezas de bronze as que inda chóro— Pilastras mortas, marmores ao Poente… Lagearam-se-me as ansias brancamente Por claustros falsos onde nunca óro… Desci de [...]

Mario de Sa-Carneiro – Angulo

10-dic-11

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); *ANGULO* Aonde irei neste sem-fim perdido, Neste mar ôco de certezas mortas?— Fingidas, afinal, todas as portas Que no dique julguei ter construido… —Barcaças dos meus impetos tigrados, Que oceano vos dormiram de Segrêdo? Partiste-vos, transportes encantados, De embate, em alma ao rôxo, a que rochêdo?… —Ó nau de festa, [...]

Mario de Sa-Carneiro – Nossa Senhora de Paris

20-lug-11

Listas de som avançam para mim a fustigar-me Em luz. Todo a vibrar, quero fugir… Onde acoitar-me?… Os braços duma cruz Anseiam-se-me, e eu fujo tambem ao luar… Um cheiro a maresia Vem-me refrescar, Longinqua melodia Toda saudosa a Mar… Mirtos e tamarindos Odoram a lonjura; Resvalam sonhos lindos… Mas o Oiro não perdura, E [...]

Mario de Sa-Carneiro – Certa voz, na noite ruivamente

20-lug-11

Esquivo sortilégio o dessa voz, opiada Em sons côr de amaranto, ás noites de incerteza, Que eu lembro não sei d’Onde—a voz duma Princesa Bailando meia nua entre clarões de espada. Leonina, ela arremessa a carne arroxeada; E bêbada de Si, arfante de Beleza, Acera os seios nus, descobre o sexo… Reza O espasmo que [...]

Mario de Sa-Carneiro – Salomé

20-lug-11

Insónia rôxa. A luz a virgular-se em mêdo, Luz morta de luar, mais Alma do que a lua… Ela dança, ela range. A carne, alcool de nua, Alastra-se pra mim num espasmo de segrêdo… Tudo é capricho ao seu redór, em sombras fátuas… O arôma endoideceu, upou-se em côr, quebrou… Tenho frio… Alabastro!… A minh’Alma [...]

Mario de Sa-Carneiro – Taciturno

20-lug-11

Ha Ouro marchetado em mim, a pedras raras, Ouro sinistro em sons de bronzes medievais— Joia profunda a minha Alma a luzes caras, Cibório triangular de ritos infernais. No meu mundo interior cerraram-se armaduras, Capacetes de ferro esmagaram Princesas. Toda uma estirpe rial de herois d’Outras bravuras Em mim se despojou dos seus brazões e [...]